Como viver de renda? Confira aqui tudo que você precisa saber sobre o tema

viver de renda

Boa parte dos conteúdos sobre como viver de renda faz parecer que tudo é muito fácil e simples. Porém, antes é preciso se esforçar para poupar e ter consciência dos recursos necessários para realizar o investimento. Também é fundamental ter em mente que há limites para acumular patrimônio.

Por isso, vamos abordar o tema de modo bastante realista e incluir nossas dicas e sugestões com uma linguagem fácil de entender, mesmo que você não esteja habituado com os termos usados no “economês” — como chamam o discurso de especialistas do ramo.

Vamos começar com as expectativas e possibilidades acessíveis a cada um de nós? Será que todos podem alcançar a condição de viver de renda? Confira! 

É possível viver de renda?

Para responder a essa pergunta, é preciso começar pelo tamanho do seu sonho. Viver de renda em Mônaco como um milionário — o único modo de se viver no principado —, com coleção de carros, barcos e tudo o que a vida pode oferecer de melhor em termos materiais, não é o mesmo que uma vida simples e confortável em um lugar com um padrão mais realista para a maioria das pessoas. 

Poucos conseguem um patamar tão alto de renda, mas com disciplina e um bom planejamento, é possível alcançar um bom ganho, proporcional à condição de cada um. O rendimento pode ser usado para complementar a aposentadoria, fazer algumas viagens ao ano ou mesmo viver uma vida confortável, digna, mas simples. 

Por isso, quando falamos em viver de renda, é preciso considerar o padrão de vida que você deseja e com o qual está acostumado. Eles necessariamente não são os mesmos, afinal, os nossos desejos não têm limites, mas as possibilidades sim.

Outro ponto a ser considerado é que quem vive de renda passa para um período de gastos, ou seja, depois de acumular o capital e o patrimônio necessários para viver uma vida confortável com a renda obtida, começa um estágio em que o dinheiro não é mais acumulado, mas sim diminuído.

Logo, você não precisa, necessariamente, pensar em acumular mais riqueza e manter exatamente o mesmo padrão de ganho atual. Normalmente, algo em torno de 80% a 90% do ganho na ativa é suficiente para conservar a mesma qualidade de vida como inativo.

O que fazer antes de começar a viver de renda?

A organização financeira é um requisito para viver de renda. Isso porque o descontrole com o orçamento dificulta acumular a reserva necessária para gastá-la de modo moderado e sustentável ao longo do tempo.

Por isso, é preciso começar por um levantamento dos seus gastos. Se você tem dívidas, por exemplo, deve calcular o total e o custo atual de empréstimos e outras modalidades de crédito. 

Com base nessas informações, você pode negociar os débitos, fazer ajustes nos seus gastos, eliminar despesas durante esse período, equilibrar as contas e mudar hábitos. Se você usa o cartão de crédito e consegue pagar a fatura em dia, ele está cumprindo uma função importante em termos de facilitar a sua vida e garantir uma folga financeira para uma emergência.

Saiba que, especialmente na época de alta inflação, algumas das poucas pessoas que têm cartão de crédito costumam usá-lo para fazer aplicações. Com as contas organizadas, elas fazem uma previsão de quanto vão gastar com ele.

Assim, quando recebem o salário, aplicam o valor separado para as despesas do cartão de crédito, pagam as compras e, no dia de vencimento da fatura, resgatam o valor aplicado para pagá-la no vencimento. Esse é um bom exemplo de uso inteligente do cartão.

Por outro lado, sem um controle adequado e com exagero nos gastos, podem faltar recursos para pagar a fatura no vencimento. Como dentre os tipos de empréstimo disponíveis o do cartão é o que cobra os juros mais altos, o prejuízo é certo e inevitável nesse caso.

Assim, a saída é procurar negociar a divida e, se possível, contratar um empréstimo consignado para saldá-la. Com as facilidades dessa modalidade de crédito e sua taxa de juros muito mais baixa, você vai resolver o problema mais cedo e poderá começar a poupar. O próprio valor da parcela do empréstimo pode ser revertido em investimento depois da quitação, se o orçamento estiver adequado ao seu padrão de vida.

Contudo, antes que você tome essas providências, viver de renda será um objetivo muito distante. A verdade é que não existe milagre quando o objetivo é acumular riqueza. É preciso gastar menos do que ganha e, se for preciso contratar crédito, fazê-lo com consciência. 

Como se planejar para viver de renda?

O seu primeiro passo é descrever o tipo de vida que gostaria de levar, considerando, obviamente, a sua realidade atual. Com base nisso, você pode calcular um orçamento para saber quanto precisará por mês — o que detalharemos no próximo tópico. Caso esteja muito fora da sua condição, poderá rever o seu sonho ou programar um tempo adicional de preparo.

Nesse processo, é provável que precise rever o seu orçamento, buscando otimizá-lo. Além disso, necessitará considerar despesas extras e atividades de manutenção, como uma eventual reforma da casa, por exemplo. Quanto mais precisa for a sua previsão de gastos, melhor será o seu resultado final.

É por isso que as suas aplicações devem levar em conta os impostos,  a inflação e a preservação do patrimônio acumulado. Isso significa que, no momento de escolher os seus investimentos, será preciso descontar os tributos e os índices de inflação da taxa de remuneração de cada aplicação.

Esse cuidado permite identificar o ganho real que obterá com cada alternativa. Afinal, não adianta nada conseguir 10% de ganhos se os preços aumentarem em 15%, pois faltarão 5% para cobrir os gastos. 

Outro ponto importante é o de calcular o impacto das retiradas no seu patrimônio depois que começar a viver de renda. Parte do percentual que o seu investimento rende não pode ser retirado, pois é necessário para cobrir os efeitos da inflação. Do contrário, conforme o tempo passar, o seu ganho vai ficar cada vez menor em termos de poder de compra, mesmo que não mude em valores.

Qual o passo a passo para viver de renda?

Agora que você já tem informação suficiente sobre como se organizar financeiramente, pode elaborar a forma mais barata e melhor de pagar as contas. Mas ainda faltou descrever os passos que precisa dar em direção à condição de investidor.

Eles já foram mencionados ligeiramente, mas abaixo estão resumidos e organizados para facilitar a consulta sempre que precisar. Veja!

Levante os valores

Você precisa listar as despesas básicas, que são aquelas das quais não tem como se livrar, como as contas da casa e a alimentação, assim como as despesas eventuais, como manutenção residencial e do veículo e os seus desejos mais imediatos, como viajar e se divertir.

Para somar suas despesas, é preciso separá-las em básicas e supérfluas. Se os seus ganhos forem maiores que os débitos, você poderá manter um padrão de vida alto sem diminuir as atividades de lazer. Do contrário, vai ter de rever seu orçamento, diminuindo os gastos ou aumentando a renda. 

Nesse caso, tenha cuidado para não exagerar e se sacrificar além das suas possibilidades. Eliminar todas as suas atividades de lazer pode prejudicar a sua motivação e produtividade. Do mesmo modo, assumir um volume exagerado de trabalho extra pode ocasionar estresse.

Calcule sua renda excedente

Se a sua condição atual já permite reservar algum dinheiro, ou se você pode alcançar isso sem se sacrificar de modo comprometedor, então basta calcular o quanto é possível economizar — o que corresponde ao valor que será investido mensalmente. 

Calcule o quanto precisa acumular

Considerando a inflação e a média de rendimentos que poderá fazer, quanto será preciso acumular por mês para garantir a renda básica necessária? É essa a pergunta que você precisa responder agora.

Denominamos “média de rendimentos” e não o rendimento que você escolheu, pois o total que acumular será aplicado no futuro. Não temos como saber hoje qual a melhor opção e a taxa exata de rendimento com a qual você poderá contar quando acumular tudo o que precisa.

Calcule o tempo de investimento

Esse cálculo pode parecer simples, mas deve considerar a inflação e os juros compostos, ou seja, a cada mês que você poupa os juros obtidos são somados ao patrimônio investido, aumentando o total aplicado e o total de juros mensal do próximo período. Contudo, esteja ciente de que a inflação diminui o poder de compra do seu dinheiro.

Reserve recursos com disciplina

Depois elaborar todo o seu planejamento e começar a poupar, surgirão despesas extras, oportunidades de compra e imprevistos diversos que podem comprometer seu investimento. Por isso, é preciso ter consciência de que ceder às tentações pode ser necessário para alcançar o seu objetivo.

Reveja o seu planejamento

Isso não significa que você não pode ter alguma flexibilidade. Será preciso aceitar alguns imprevistos, como no caso de problemas com a saúde de algum membro da família. O importante é ter controle sobre o “comportamento” de seu patrimônio acumulado.

Sempre que algo não se encaixar, o que pode ocorrer em virtude de algum erro nos cálculos previstos, faça os ajustes necessários, de modo a garantir que o seu plano seja sustentável ao longo do tempo.

Gaste com prudência

Depois que acumular o patrimônio desejado, precisará manter a vigilância. Se você retirar mais do que os rendimentos obtidos ao mês (descontada a inflação), logo o dinheiro não será suficiente para cobrir as despesas mensais, e o seu projeto estará comprometido. Nesse caso, o único modo será desenvolver alguma atividade extra para contornar o problema.

Quais são os melhores investimentos para viver de renda?

Se pesquisar um pouco sobre o modo de vida de alguns grandes investidores do setor financeiro, vai descobrir que alguns deles não têm casa própria. Eles se dão muito bem com isso porque conhecem tudo do mercado financeiro e sabem que o custo de investir dinheiro na compra de um imóvel é alto, se considerada a rentabilidade.

Por outro lado, também existem corretores de imóveis que fazem excelentes investimentos e obtêm ótimos ganhos com a compra e venda de casas, terrenos, apartamentos e outras propriedades. Eles aproveitam a segurança oferecida por esse tipo de aplicação e o conhecimento que têm sobre o mercado para fazer bons negócios.

Nesse caso, você recomendaria que o primeiro investidor passasse a comprar imóveis? E que o segundo investisse no mercado financeiro? O que aconteceria se eles fizessem isso? Provavelmente, ambos perderiam muito dinheiro até aprender sobre como investir em algo que não conhecem

Ou seja, as melhores aplicações são sempre aquelas sobre as quais temos algum domínio de seu funcionamento. Investimentos não combinam com aventura e, antes de apostar todas as fichas em uma única alternativa, busque informação, conhecimento e teste os resultados com aplicações menores. Perder um pouquinho para aprender a operar em um determinado tipo de investimento servirá como lição e não vai comprometer o resultado final.

Outra preocupação necessária é com a concentração de investimentos em uma única opção. Você pode concentrar boa parte dos seus recursos em uma aplicação que ofereça maior lucratividade, mas não todos. A diversificação é um excelente instrumento para aumentar a sua segurança

As opções são muitas, e o percentual de rendimento varia de acordo com a época. Por isso, não adianta escolher a que você considera ideal e permanecer nela — o conselho é manter-se atento e migrar de alternativa conforme o mercado sinaliza. Pensando nisso, confira as possibilidades mais comuns a seguir! 

Tesouro Direto

O Tesouro Direto está entre os investimentos considerados mais seguros, pois as chances de perder dinheiro com ele são quase nulas. No entanto, os ganhos não estão entre os mais altos, especialmente quando o Banco Central determina a baixa dos juros. Por isso, é preciso manter um bom volume nesse tipo de aplicação para garantir uma renda.

Investimentos em ações

Quando falamos em ações, muitos pensam nas grandes agências de corretagem e em investir diretamente, escolhendo as alternativas que parecem ter mais chances de crescimento. Porém, também existem fundos de investimento nos quais você pode aplicar seus recursos.

Nesse caso, você compra um produto, ou seja, uma carteira que distribui o investimento em várias ações e é definida por um profissional do mercado. Seja como for, essa modalidade é muito mais lucrativa e, ao mesmo tempo, arriscada, pois depende do desempenho e das estratégias adotadas pelas empresas que operam na Bolsa de Valores.

Fundos imobiliários

Os fundos imobiliários permitem investir no setor de imóveis sem imobilizar os seus recursos. Na linguagem dos investidores, é uma alternativa de maior liquidez, ou seja, mais fácil e rápido de transformar sua aplicação em dinheiro. Afinal, o tempo necessário para vender um imóvel é algo incerto.

Você precisa comprar o bem, escriturá-lo e assumir as obrigações relativas a ele, como impostos. No caso do fundo, os seus recursos são aplicados em conjunto com o investimento de várias outras pessoas.

Do mesmo modo que investir em ações de uma empresa e ajudar a financiá-la, nos fundos o capital é investido em empreendimentos imobiliários, mas com uma renda prefixada. O percentual de rendimento tem se mostrado muito bom, mas varia de fundo para fundo. Por isso, pesquise antes de fazer uma escolha.

Para concluir, reforçamos a importância de pesquisar alternativas de investimento se desejar viver de renda, pois a variação da lucratividade é muito grande. O que é uma boa aplicação hoje, pode não ser amanhã. Logo, acompanhar as tendências do mercado é fundamental para garantir a sua rentabilidade no longo prazo.

O que achou do conteúdo? Ficou com alguma dúvida? Gostaria de dividir alguma experiência sua? Seja qual for o seu caso, deixe o seu comentário abaixo para que possamos interagir sobre o tema!

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